sábado, 25 de julho de 2026

Capitalismo, propriedade, privatização e a esquerda

O título parece não fazer sentido, mas ao finalizar, vai notar como tudo se encaixa.
Caso não saiba, nos últimos meses, tem surgido uma raiva da comunidade gamer, devido a uma ação da Sony. Ela pretende eliminar de seus consoles, o uso de mídia física, para dar exclusividade a mídia digital. Não é um crime, mas como uma pessoa sem consciência uma vez me disse “pode não ser ilegal, mas é imoral”. Alguns streamers e youtubers, como o Gaveta foram a favor dessa ação e levaram uma crítica tão pesada da comunidade, que voltaram a atrás, para apoiar a galera que quer o material.
Nós podemos falar que devido a acabarem com as mídias físicas, as grandes companhias de games querem ter monopólio sobre o dinheiro gasto dos consumidores. Na verdade, estão mais para parasitas enormes com o símbolo da Sony, sugando uma clientela que já paga muito por games. Um jogo, normalmente, vale entre 100 a 200 R$, sendo que é um valor de um botijão de gás!
Isso se deve, pois, podemos falar o seguinte sobre esse processo de obras apenas digitais: você paga por um game, mas não é dono dele. O que significaria mais que o jogador aluga ele. O que não faz sentido, se entendermos o significado de aluguel, pois, se definiria que há uma data limite. Mas a Sony, com essa tentativa de mudança da relação apenas virtual, força o comprador a perder seu jogo se a empresa quiser a qualquer momento. O que não é justo, se aquilo foi uma compra, não é?
Parte dessa culpa, foi a transformação do espaço gamer em um lugar de comércio. Com uma clientela mais jovem. Podemos até falar que o causador de tudo isso foi um cavalo. Se deve a uma coisa que os gamers chamariam de “skins”, customizações feitas no personagem ou itens usados pelo jogador. E no caso, se trata de Elder Scrolls IV: Oblivion, onde isso surgiu. Depois de um certo tempo, os desenvolvedores colocaram uma sela para ser comprável, na época, através de cartão de crédito. E o custo nem era tão alto, mas muita gente quis. Aí o comércio notou “há uma demanda que podemos explorar”.
Hoje em dia, há venda de skins, DLCs, compras físicas relacionadas ao game, coisas que o público gamer e geek se sentiu atraído. A isca perfeita, pois temos clientes jovens, impressionáveis, que tem grana para isso. Só lembrando de táticas como a Pay To Win, ou as de loot, muitas vezes combinadas, que se tornam uma loteria, que só dá certo para os mais ricos. Mas o preço por esses jogos é justo? Não. Isso sem contar que gastar esse dinheiro, não garante qualidade no produto final, nem sequer em coisas suplementares. Depois, há algumas dessas mídias que chegam bugadas.
Se formos pensar em outras mídias, a música ainda é produzida, em pequena escala em vinis, CDs e fitas K7, nos tempos atuais. Há filmes sendo lançados para formato blu-ray de DVDs, apesar da prevalência de redes sociais para vídeos como o Youtube e Vevo, além das várias plataformas de streaming. Sendo assim, não há motivo para que os jogos não possam continuar a serem lançados em discos físicos.
A principal articulação política no Brasil contra a decisão da Sony de encerrar as mídias físicas do PlayStation é liderada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A parlamentar protocolou uma representação oficial na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Ela solicitou uma investigação sobre possíveis violações ao Código de Defesa do Consumidor (CDC). E nós devemos nos lembrar que dentro desses problemas podemos ver coisas como o preço do console (alto demais com games muito caros), o monopólio digital (retirando o direito de escolha, acabando com o mercado de jogos usados, impedindo trocas e empréstimos) e o direito sobre a propriedade (pois o gamer deixa de ter uma propriedade, mas seria uma licença revogável).
Quando pensamos nos primórdios do Playstation mesmo, com o PSOne, já havia problemas para jogar de forma oficial. Pois além dos games já serem caros, para a época, alguns deles não chegavam ao Brasil. Por isso, muitas das lojas especializadas se rendiam a jogos piratas, com aquelas famosas promoções de, com 10 R$ comprava três. Já com esse pensamento de colocar para “venda” da mídia apenas digital, é como se eu pegasse uma garrafa de água e só lhe desse a ÁGUA. O cliente quer a segurança da posse, não por ser “dono do líquido”, pois ninguém o é, mas por estar gastando com isso.
Se não houvesse mídia física, muitas das pessoas de hoje em dia não poderiam se ver representadas em figuras famosas. Recentemente, ficou em evidência a cantora Luísa Sonza, mostrando suas extensas bibliotecas de jogos no PlayStation 5 e no Nintendo Switch 2. O que incentivou muitas garotas a se sentirem bem em serem jogadoras. Devemos também lembrar que youtubers, como o Edu (canal BRKSEdu) criticaram firmemente essa ação da Sony.
Só lembrando, que mais de uma vez, só esse ano, a PSN apresentou problemas globalmente, impedindo milhões de jogadores de aproveitar os títulos digitais ou online. Se é assim, esse será o futuro, com uma “alta qualidade”, que essa empresa promete?
Isso me lembrou como serviços privatizados causaram e causam problemas. Obviamente, ambas as coisas são diferentes. Mas demonstram o mesmo problema: a falta de respeito ao consumidor que tem de trabalhar, demora horas e dias para conseguir seu serviço ou produto que é de direito. Exemplos são, a falta de bons serviços de telefone e internet pela Vivo, água de má qualidade e esgoto nem sequer tratado pela Sabesp, além de explosões pela Trivia Trens. Pois a gente está renegando esses problemas e devemos combater isso.
Como faremos isso? Elegendo uma galera de esquerda (que esses sim correm atrás dos direitos dos consumidores, pois são a favor dos trabalhadores, que é algo que une classe média e baixa), realmente observando quem tem planos para lutar por nossos direitos. “Ai, mas a Esquerda...” esse papo é tão fraco quanto um filhote de pássaro. A endemonização feita pela elite e políticos de direita, sempre ignora o esforço feito. Quem está combatendo essa ação imoral? PSOL. “Ai, mas tem gente de direita”... Que só embarcou, pois perderia eleitorado. 

sábado, 27 de junho de 2026

(História da Música) Quem foi Aldir Blanc?

Afinal, quem foi Aldir Blanc, que dá nome a lei que ajuda tantos artistas atualmente? Vejamos.

Ele nasceu  em 02 de Setembro de 1946  e morreu em 04 de Maio de 2020.
Ele foi:

  • Letrista
  • Compositor
  • Cronista
  • Médico
Abandonou a profissão de médico para tornar-se compositor, sendo considerado um dos grandes letristas da música brasileira
Autor de mais de 600 canções. Entre elas:
  • Dois pra lá dois pra cá
  • O bêbado e o equilibrista
  • O mestre sala dos mares
Foi cronista das revistas:
  • O Pasquim
  • Bundas
Cronista dos jornais
  • Globo
  • Jornal do Brasil
  • O Dia
Deve como parceiros artísticos:

  • João Bosco 
  • Sílvio da Silva 
  • Paulo Emílio 
  • Maurício Tapajós
  • Paulo César Pinheiro 
  • Moacyr Luz
  • Cristóvão Bastos
  • Edu Lobo
  • Carlos Lyra 
  • Djavan
  • Ivan Lins
  • Raphael Rabello
  • Luiz Carlos da Vila
  • Ed Mota
  • Jayme Vignoli
  • Moyseis Marques
  • Guinga (violinista)


sábado, 20 de junho de 2026

Kathoey

“Na minha época não existia isso de pessoas trans.” Será mesmo? Há mais de mil anos, muito antes da colonização europeia na Ásia, a Tailândia já reconhecia pessoas que hoje chamaríamos de trans e travestis. A diversidade de gênero não é invenção moderna: ela é histórica e milenar.
Registros culturais do Sudeste Asiático indicam a existência das kathoey ao menos desde o período dos reinos pré-modernos, como Dvaravati (séculos VI–XI) e Lanna e Ayutthaya (séculos XIII–XVIII). Crônicas reais, literatura popular, artes performáticas e iconografia de templos mostram figuras de gênero ambíguo exercendo papéis sociais reconhecidos. O termo kathoey aparece historicamente para designar pessoas atribuídas homens ao nascer que viviam expressões femininas — incluindo mulheres trans e travestis — ocupando um lugar social entendido como “terceiro gênero”, fora do binarismo ocidental.
Antes da influência europeia, as sociedades do Sudeste Asiático apresentavam maior flexibilidade nas normas de gênero, articuladas ao budismo theravada. Diferentemente da moral cristã, o budismo não classificou a diversidade de gênero como pecado. Em leituras populares, a ideia de karma e renascimento explicava corpos dissidentes como parte do ciclo da vida, favorecendo compaixão e tolerância. Esse entendimento religioso foi fundamental para a sobrevivência histórica das kathoey por séculos.
A marginalização se intensifica a partir do século XIX, quando a Tailândia, mesmo sem colonização formal, adota códigos legais, médicos e morais europeus para se adequar ao modelo de Estado moderno. A importação de uma visão binária, biologizante e moralizante de sexo e gênero transformou identidades antes reconhecidas em “desvios”, legitimando discriminação, exclusão do trabalho formal e patologização.
Ainda assim, as kathoey resistiram. Encontraram estratégias no entretenimento, na beleza e no turismo. No século XX, a Tailândia tornou-se referência mundial em cirurgias de afirmação de gênero, atraindo pessoas trans do mundo inteiro, inclusive do Brasil. Influencers como Bella Longuinho e Maya Massafera realizaram cirurgias no país.
A história das kathoey demonstra que a transfobia é um produto colonial, enquanto a diversidade de gênero é milenar — e segue resistindo. 

sábado, 6 de junho de 2026

Características dos Povos Indígenas

Os povos indígenas até então estudados tem diversas características que os tornam únicos. Mas há padrões físicos e culturais que permanecem em cada um dos grupos ou tribos. Dito isso, vejamos algumas delas que se repetem.

  • Olhos: Costumam ser escuros, castanhos e, em algumas etnias, apresentam formato levemente amendoado.
  • Pinturas corporais: Como tinturas de urucum e o jenipapo.
  • Adornos: Com os de plumas (arte plumária), brincos, alargadores e colares.

Há uma divisão entre trabalhos femininos e trabalhos masculinos, dentro das comunidades indígenas. Lembrando, que isso não tem relações de superioridade com relação ao sexo. Mas sim, devido a necessidades.

Tarefas masculinas

  • Derrubar a mata e preparar a terra para plantio;
  • Fazer armas de guerra e canoas;
  • Construir moradias;
  • Cuidar da segurança do grupo;
  • Caçar e pescar

Tarefas femininas

  • Plantar, acompanhar o crescimento e colher;
  • Extrair frutos como castanha e pinhão;
  • Transportar produtos;
  • Fazer farinha;
  • Tecer redes, fazer cestos, vãos e outros objetos;
  • Preparar alimentos e cuidar das crianças

A terra para os indígenas é de quem trabalha nela. Ou seja, todos aqueles que vivem nela e trabalham naquele território, são donos da terra, ou seja, sua posse é coletiva.
A divisão do trabalho é além da questão sexual (masculino e feminino), mas devido a idade. Conforme sua força e idade.
Lembrando que há mais de 300 tribos indígenas e ao menos 200 idiomas de origem desses povos originários.

sábado, 30 de maio de 2026

A viagem espacial se deve ao sacrifício de uma cachorrinha

Há 67 anos, Laika foi lançada ao espaço. Seu nome significa "pouco latido", mas seu verdadeiro nome era Kudrjavka, que em russo significa "encaracolado". Laika foi pega na rua em Moscou. Metade Husky e metade Terrier, ela tinha cerca de 3 anos de idade no momento da sua seleção. Foi escolhido porque era calmo, dócil e perfeitamente adaptável à cápsula do Sputnik 2. Mesmo que a missão estivesse equipada com sistemas de suporte de vida (comida e água), não previa o retorno: para Laika, era uma sentença de morte.
O interior do satélite foi forrado, com espaço suficiente para ele ficar em pé ou deitar. A temperatura interna foi definida em 15 °C, e um sistema de refrigeração deveria tê-lo protegido contra choques térmicos.
No dia 3 de novembro, às 2 horas da manhã, o Sputnik 2 foi lançado para o espaço. Laika provavelmente sobreviveu por cerca de sete horas, embora algumas fontes afirmam que sua agonia durou até quatro dias. Sozinha no espaço.
O satélite regressou à atmosfera cinco meses depois, em 14 de Abril de 1958, após ter feito 2570 órbitas em torno da Terra e desintegrar-se na reentrada.
Há uma profunda culpa que todos nós devemos sentir ao ler o que fizemos a Laika. O progresso humano tem sido muitas vezes alcançado à custa dos animais, que não têm nada a ver com o nosso desejo de supremacia.
Muitos acreditam que esse foi um preço aceitável para nossas conquistas, mas parece óbvio, mesmo lendo esta história, que era apenas uma forma de prevaricação. Tínhamos o dever de escolher outro caminho.
Ainda temos esse dever hoje.