sábado, 29 de agosto de 2026

Morro do Pinto, uma das primeiras favelas do Brasil

Esse é um registro daquela que é considerada a primeira favela do Brasil - O Morro do Pinto, em Santo Cristo, no Rio de Janeiro, por volta de 1910.
Porém, o nome "favela" não tem nada a ver com esse morro. O nome provavelmente vem de uma árvore do cerrado e caatinga.
Mais ou menos entre 1896 e 1897, um grande número de sertanejos, liderados por Antônio Conselheiro, fundaram a comunidade de Canudos no interior da Bahia. Canudos ficava perto de um monte chamado ‘Morro da Favela’.
O morro assim era chamado porque lá cresciam muitas favelas, plantas euforbiáceas espinhosas, xerófilas, bastante resistentes à estiagem. ‘Favela’ é diminutivo de fava (planta leguminosa, como os feijões), assim como ‘barbela’ é de ‘barba’ e ‘costela’ é de ‘costa’. É que suas sementes são parecidas com às da fava.
O gênero significa ‘espinho urticante’ (do grego ‘knídos’: urtiga; ‘skólos’: espinho). O epíteto específico significa ‘folha de carvalho’.
Mas o nome comum, favela, apareceu, entretanto, por escrito só em 1902 na obra ‘Os Sertões’ de Euclides da Cunha.
Nesse livro, Euclides explica a Guerra de Canudos, o conflito entre os seguidores de Conselheiro e o Exército Brasileiro, e cita, em certos trechos, tanto a favela quanto o Morro da Favela. Depois do massacre de Canudos, os soldados voltaram para o Rio de Janeiro, então capital republicana.
Após a guerra, deixaram de receber seus salários, e, por falta de melhores condições, foram obrigados a se instalar em barracos nos morros da cidade sem nenhuma infraestrutura. Os primeiros foram no atual ‘Morro da Providência’, que, relembrando o Morro da Favela, em Canudos, passou a chamar simplesmente de ‘favela’.
Com o tempo, qualquer aglomerado habitacional, de materiais improvisados, onde moram pessoas de baixa renda passou a ser chamado assim, mesmo que não seja num morro.

sábado, 22 de agosto de 2026

Ahosi: as guerreiras implacáveis de Daomé

A história de um exército de mulheres guerreiras que aterrorizou os franceses durante o século XIX, parece ficção mas é real. As Ahosi (“esposas do rei” em Fon) ou Mino (“nossas mães”), como eram chamadas as mulheres treinadas militarmente para serem guardiãs do rei de Daomé, região da atual República do Benin, não só existiram como foram um dos exércitos mais prósperos do continente africano durante as incursões coloniais europeias.
Os primeiros registros de existência datam do século XVII (entre 1645 e 1685) durante o reinado de Aho Houegbadja, terceiro rei de Daomé e fundador da capital do reino Abomey. Além de promulgar leis, desenvolver a cultura política, a religião e a administração, o rei Houegbadja criou este exército que chegou a ter 6 mil mulheres em seu auge, cerca de um terço do exército daomeano.

Vantagens sobre os inimigos:
Um dos fatores de sucesso sobre os inimigos europeus era a surpresa. Homens brancos treinados para lutar com outros homens, que viam mulheres como seres fisicamente inferiores, sob o estereótipo de passividade e docilidade ficavam aterrorizados.
Treinadas em combate de guerra corpo a corpo, lanças, facões, armas de fogo e para sobreviver em condições hostis, as Ahosi também eram iniciadas no culto Vodunsn, uma tradição religiosa ancestral. Durante o período de guerra não era permitido às guerreiras ter vida conjugal ou qualquer tipo de contato sexual, visando evitar a gravidez.

Guerreiras ahosi:
Estas guerreiras lograram tantas vitórias que ficaram conhecidas por seus inimigos europeus como “amazonas” por terem fama de decapitarem seus prisioneiros de guerra. A fama de ferocidade deste exército fazia com que soldados, antes mesmo de estarem frente a frente no campo de batalha, desistissem de lutar.
O exército de guerreiras infligiu numerosas baixas aos franceses na segunda metade do século XIX durante a guerra franco-daomeana e só foram destituídas quando a França, após diversas derrotas seguidas, solicitou auxílio aliado com infantaria, armamento superior como metralhadoras e cavalaria.
As Ahosi tiveram importância essencial para a resistência daomeana às invasões francesas durante boa parte do século XIX e são conhecidas como o único exército feminino da história mundial. A última guerreira Ahosi faleceu em 1979.

Estas eram uma unidade de elite altamente treinada, móvel e implacável do exército do Daomé. Elas eram famosas por seu heroísmo. A castidade era um requisito e elas só podiam se casar após se aposentarem da unidade. Violar esta regra era punível com a morte.
Estas mulheres eram recrutadas de diferentes fontes. Algumas eram escravas capturadas, algumas eram voluntárias, enquanto algumas eram crianças do Reino que tinham mostrado características alinhadas com o combate.
As Agadogie (amazonas) geralmente retornavam de incursões e ataques até a atual Nigéria com escravos e cativos. Todos os cativos das Amazonas eram exclusivamente do Rei porque a unidade de elite era servida como do Rei.
Estas mulheres eram famosas por sua bravura, mas a maioria delas era temida por sua crueldade. Elas eram conhecidas por usar várias técnicas de tortura para quebrar seus cativos para obter informações e infames por decapitar suas mortes para contagem literal de cabeças.
Foto: Histfeed

sábado, 15 de agosto de 2026

Luiz Gama

Nascido no dia 21 de junho de 1830, em Salvador, Bahia, foi vendido como escravo pelo próprio pai aos 9 anos de idade, e permaneceu analfabeto até os 17. Após conquistar sua própria liberdade, Luiz Gama estudou direito por conta própria, aos 20 anos se candidatou ao curso de Direito do Largo de São Francisco, mas foi impedido de cursar por ser negro.
Mas isso não impediu Luiz Gama, que estudou e aprendeu direito por conta própria. Fundamentava suas ações em leis como a que proibia o tráfico negreiro (1831) e a Lei do Ventre Livre (1871) para libertar cativos, usando a própria legislação escravocrata contra ela.
Luiz Gama foi uma figura central no abolicionismo, conhecido por libertar judicialmente mais de 500 escravizados, usando a lei para provar ilegalidades do sistema, criticando a escravidão em jornais e sendo um defensor da República. Hojé Luiz Gama é reconhecido como Herói Nacional e Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil, reconhecendo sua luta pela liberdade e cidadania.

domingo, 9 de agosto de 2026

Palacete de 1909 – Rua José Bonifácio, centro de São Paulo


Antigo prédio, inaugurado em 1909, que ainda se mantém na esquina das Rua São Bento e José Bonifácio (em frente ao Largo São Francisco). Neste edifício que originalmente possuía duas entradas, uma pela Rua São Bento, 24 e outra pela Rua José Bonifácio, 210, já passaram dezenas, senão centenas, de empresas, lojas, agremiações sociais e tantas outras atividades; afinal, são mais de cem anos abrigando os mais diversos inquilinos.

sábado, 25 de julho de 2026

Capitalismo, propriedade, privatização e a esquerda

O título parece não fazer sentido, mas ao finalizar, vai notar como tudo se encaixa.
Caso não saiba, nos últimos meses, tem surgido uma raiva da comunidade gamer, devido a uma ação da Sony. Ela pretende eliminar de seus consoles, o uso de mídia física, para dar exclusividade a mídia digital. Não é um crime, mas como uma pessoa sem consciência uma vez me disse “pode não ser ilegal, mas é imoral”. Alguns streamers e youtubers, como o Gaveta foram a favor dessa ação e levaram uma crítica tão pesada da comunidade, que voltaram a atrás, para apoiar a galera que quer o material.
Nós podemos falar que devido a acabarem com as mídias físicas, as grandes companhias de games querem ter monopólio sobre o dinheiro gasto dos consumidores. Na verdade, estão mais para parasitas enormes com o símbolo da Sony, sugando uma clientela que já paga muito por games. Um jogo, normalmente, vale entre 100 a 200 R$, sendo que é um valor de um botijão de gás!
Isso se deve, pois, podemos falar o seguinte sobre esse processo de obras apenas digitais: você paga por um game, mas não é dono dele. O que significaria mais que o jogador aluga ele. O que não faz sentido, se entendermos o significado de aluguel, pois, se definiria que há uma data limite. Mas a Sony, com essa tentativa de mudança da relação apenas virtual, força o comprador a perder seu jogo se a empresa quiser a qualquer momento. O que não é justo, se aquilo foi uma compra, não é?
Parte dessa culpa, foi a transformação do espaço gamer em um lugar de comércio. Com uma clientela mais jovem. Podemos até falar que o causador de tudo isso foi um cavalo. Se deve a uma coisa que os gamers chamariam de “skins”, customizações feitas no personagem ou itens usados pelo jogador. E no caso, se trata de Elder Scrolls IV: Oblivion, onde isso surgiu. Depois de um certo tempo, os desenvolvedores colocaram uma sela para ser comprável, na época, através de cartão de crédito. E o custo nem era tão alto, mas muita gente quis. Aí o comércio notou “há uma demanda que podemos explorar”.
Hoje em dia, há venda de skins, DLCs, compras físicas relacionadas ao game, coisas que o público gamer e geek se sentiu atraído. A isca perfeita, pois temos clientes jovens, impressionáveis, que tem grana para isso. Só lembrando de táticas como a Pay To Win, ou as de loot, muitas vezes combinadas, que se tornam uma loteria, que só dá certo para os mais ricos. Mas o preço por esses jogos é justo? Não. Isso sem contar que gastar esse dinheiro, não garante qualidade no produto final, nem sequer em coisas suplementares. Depois, há algumas dessas mídias que chegam bugadas.
Se formos pensar em outras mídias, a música ainda é produzida, em pequena escala em vinis, CDs e fitas K7, nos tempos atuais. Há filmes sendo lançados para formato blu-ray de DVDs, apesar da prevalência de redes sociais para vídeos como o Youtube e Vevo, além das várias plataformas de streaming. Sendo assim, não há motivo para que os jogos não possam continuar a serem lançados em discos físicos.
A principal articulação política no Brasil contra a decisão da Sony de encerrar as mídias físicas do PlayStation é liderada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A parlamentar protocolou uma representação oficial na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Ela solicitou uma investigação sobre possíveis violações ao Código de Defesa do Consumidor (CDC). E nós devemos nos lembrar que dentro desses problemas podemos ver coisas como o preço do console (alto demais com games muito caros), o monopólio digital (retirando o direito de escolha, acabando com o mercado de jogos usados, impedindo trocas e empréstimos) e o direito sobre a propriedade (pois o gamer deixa de ter uma propriedade, mas seria uma licença revogável).
Quando pensamos nos primórdios do Playstation mesmo, com o PSOne, já havia problemas para jogar de forma oficial. Pois além dos games já serem caros, para a época, alguns deles não chegavam ao Brasil. Por isso, muitas das lojas especializadas se rendiam a jogos piratas, com aquelas famosas promoções de, com 10 R$ comprava três. Já com esse pensamento de colocar para “venda” da mídia apenas digital, é como se eu pegasse uma garrafa de água e só lhe desse a ÁGUA. O cliente quer a segurança da posse, não por ser “dono do líquido”, pois ninguém o é, mas por estar gastando com isso.
Se não houvesse mídia física, muitas das pessoas de hoje em dia não poderiam se ver representadas em figuras famosas. Recentemente, ficou em evidência a cantora Luísa Sonza, mostrando suas extensas bibliotecas de jogos no PlayStation 5 e no Nintendo Switch 2. O que incentivou muitas garotas a se sentirem bem em serem jogadoras. Devemos também lembrar que youtubers, como o Edu (canal BRKSEdu) criticaram firmemente essa ação da Sony.
Só lembrando, que mais de uma vez, só esse ano, a PSN apresentou problemas globalmente, impedindo milhões de jogadores de aproveitar os títulos digitais ou online. Se é assim, esse será o futuro, com uma “alta qualidade”, que essa empresa promete?
Isso me lembrou como serviços privatizados causaram e causam problemas. Obviamente, ambas as coisas são diferentes. Mas demonstram o mesmo problema: a falta de respeito ao consumidor que tem de trabalhar, demora horas e dias para conseguir seu serviço ou produto que é de direito. Exemplos são, a falta de bons serviços de telefone e internet pela Vivo, água de má qualidade e esgoto nem sequer tratado pela Sabesp, além de explosões pela Trivia Trens. Pois a gente está renegando esses problemas e devemos combater isso.
Como faremos isso? Elegendo uma galera de esquerda (que esses sim correm atrás dos direitos dos consumidores, pois são a favor dos trabalhadores, que é algo que une classe média e baixa), realmente observando quem tem planos para lutar por nossos direitos. “Ai, mas a Esquerda...” esse papo é tão fraco quanto um filhote de pássaro. A endemonização feita pela elite e políticos de direita, sempre ignora o esforço feito. Quem está combatendo essa ação imoral? PSOL. “Ai, mas tem gente de direita”... Que só embarcou, pois perderia eleitorado. 

sábado, 27 de junho de 2026

(História da Música) Quem foi Aldir Blanc?

Afinal, quem foi Aldir Blanc, que dá nome a lei que ajuda tantos artistas atualmente? Vejamos.

Ele nasceu  em 02 de Setembro de 1946  e morreu em 04 de Maio de 2020.
Ele foi:

  • Letrista
  • Compositor
  • Cronista
  • Médico
Abandonou a profissão de médico para tornar-se compositor, sendo considerado um dos grandes letristas da música brasileira
Autor de mais de 600 canções. Entre elas:
  • Dois pra lá dois pra cá
  • O bêbado e o equilibrista
  • O mestre sala dos mares
Foi cronista das revistas:
  • O Pasquim
  • Bundas
Cronista dos jornais
  • Globo
  • Jornal do Brasil
  • O Dia
Deve como parceiros artísticos:

  • João Bosco 
  • Sílvio da Silva 
  • Paulo Emílio 
  • Maurício Tapajós
  • Paulo César Pinheiro 
  • Moacyr Luz
  • Cristóvão Bastos
  • Edu Lobo
  • Carlos Lyra 
  • Djavan
  • Ivan Lins
  • Raphael Rabello
  • Luiz Carlos da Vila
  • Ed Mota
  • Jayme Vignoli
  • Moyseis Marques
  • Guinga (violinista)