domingo, 3 de maio de 2026

Como surgiu o nome da obra, Vidas Secas, de Graciliano Ramos?

Em 1937, Graciliano Ramos escreveu um conto chamado "Baleia", sobre uma cachorra prestes a ser sacrificada (inspirado em fatos que ele tinha presenciado quando criança no sertão de Pernambuco). Após a publicação e a repercussão, o escritor reuniu esse e outros contos de sua autoria já publicados de forma independente em jornais e revistas, organizando-os entre si e encadeando-os de modo a formar um romance coeso. E assim nasceu "Vidas Secas", lançado em 1938.
Naquele mesmo ano, em resenha sobre o livro publicada no jornal Diário de Notícias, o cronista Rubem Braga acabou criando o conceito de “romance desmontável”: os 13 capítulos que formam a obra podem ser lidos isoladamente, pois dispõem de certa autonomia, apresentando casos particulares da vida no sertão.
A página de rosto da prova tipográfica do romance (foto) estampava ainda o título dos originais que Graciliano tinha enviado à editora: "O Mundo Coberto de Pennas" (o primeiro título escolhido foi "Baleia"). Na biografia “O Velho Graça” (1992), Dênis de Moraes conta que o poeta Augusto Frederico Schmidt sugeriu que o livro se chamasse "Vidas Amargas", e que Daniel Pereira, irmão do editor José Olympio, propôs a troca de "amargas" por "secas". Graciliano se convenceu imediatamente disso, sendo o título anterior usado para nomear o 12º capítulo da obra.