sábado, 25 de outubro de 2025

Deuses de origem inuíte


Malina: deusa do Sol;
Nanook: deus ou espírito protetor dos ursos polares;
Sila: deus/espírito supremo do ar, do clima e da vida;
Sedna: deusa suprema dos mares e dos animais marinhos;
Qailerterang: deusa do tempo, dos ventos e do mar;
Torngarsuk: deus poderoso associado a proteção, sorte e poder espiritual;
Anguta: deus dos mortos;
Tekkeitsertok: deus dos caribus
Pinga: deusa da caça, da fertilidade e da cura;
Aningan: deus da lua

domingo, 19 de outubro de 2025

Explicando o anarco sindicalismo

Quando o general Franco tentou dar um golpe fascista na Espanha, os trabalhadores e camponeses, especialmente nas regiões da Catalunha e Aragão, se organizaram por conta próprias para resistir. A principal força por trás dessa organização era a CNT, a Confederação Nacional do Trabalho, um sindicato anarco-sindicalista. Eles não só pegaram em armas para lutar contra os fascistas, mas também aproveitaram o movimento para colocar em prática suas ideias revolucionárias.
Com o colapso de controle estatal em várias regiões, os trabalhadores simplesmente tomaram o controle direto das fábricas, oficinas, transportes, hospitais, escolas e até cinemas. Sem pedir permissão a governo algum, eles passaram a administrar tudo por meio de assembleias e conselhos eleitos, onde cada trabalhador tinha voz e voto. As decisões não vinham de cima para baixo, mas eram construídas coletivamente. Não havia chefes, patrões, nem gerentes, pois todos trabalhavam e decidiam juntos. Na cidade de Barcelona, por exemplo, boa parte da indústria foi socializada. O sistema de bondes urbanos continuou funcionando.
Numa sociedade anarco-sindicalista, as empresas e serviços seriam controlados coletivamente por quem trabalha neles. As decisões seriam tomadas em assembleias democráticas, e os sindicatos se conectariam em redes e federações horizontais, sem hierarquia. A ideia é que o sindicato não seja só o instrumento de luta, mas também a base da nova organização social onde não existam patrões, nem chefes, nem governantes, mas uma sociedade livre organizada pelos próprios trabalhadores.
Um exemplo histórico disso, como dito antes, aconteceu na Revolução Espanhola, em 1936, quando trabalhadores da CNT (um sindicato anarco-sindicalista) passaram a autogerir fábricas, fazendas e cidades inteiras, sem patrões, nem governo, durante um breve período. Essa experiência é vista pelos anarco-sindicalistas como a prova de que é possível criar uma sociedade mais justa, organizada de forma libertária.
Nas zonas rurais, principalmente em Aragão, milhares camponeses se uniram em coletivos agrícolas. A terra que antes era concentrada nas mãos de poucos latifundiários, foi dividida entre igualmente entre quem realmente a cultivava. Em alguns desses coletivos, o dinheiro foi até abolido, por que cada um contribuía com o que podia e recebia o que precisava, com base na solidariedade. 
Foi um momento raro na história onde as ideias anarquistas deixaram de ser teoria e virarem prática cotidiana, com um nível altíssimo de participação popular e autogestão. 
Claro, tudo isso enfrentou muitos obstáculos. Além da guerra contra os fascistas, os anarco-sindicalistas também tiveram de lidar com tensões com outros grupos de esquerda, como comunistas autoritários que queriam restaurar o controle estatal. E no fim, infelizmente, a revolução foi esmagada com a vitória de Franco e a repressão brutal que veio depois. 
Mas mesmo assim, a experiência da Revolução Espanhola mostrou que o anarco-sindicalismo não é só um ideal distante. Ele já aconteceu e provou que uma sociedade organizada de forma livre, solidária e sem hierarquias é possível, mesmo em tempos de guerra.
Assim como outras formas de anarquismo, o anarco-sindicalismo, visa acabar com o Estado, o capitalismo e as hierarquias. 

sábado, 11 de outubro de 2025

Educação antirracista no Brasil do século XXI

Devemos definir na educação, assim como na vida, que não podemos ser apenas contra o preconceito racista, mas ter uma prática antirracista. Dentro do aspecto pedagógico, as escolas sempre tiveram uma visão positivista nas aulas, que ignoravam a contribuição da cultura negra no Brasil. O que não deixa de ser um etnocentrismo velado, perpetrado pela negação das autoridades (incluindo nós professores), que o racismo existe na nossa sociedade. Por isso, precisamos - como educadores - apontar esses aspectos de apagamentos históricos dentro da estrutura do país.
As leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08 se tornam extremamente úteis, quando demonstra dois fatos: o primeiro que não foram e não são apenas os negros alvos de racismo, da construção da sociedade brasileira, assim como os grupos indígenas; o segundo demonstra que além da formação europeia (portugueses, descendentes de imigrantes japoneses e italianos por exemplo), temos no Brasil, muitos traços culturais que descendem dos povos negros e indígenas. Formando parte da nossa ancestralidade, ao mesmo tempo que gera uma cidadania democrática.
Entre metodologias que se podem usar para práticas antirracistas, pode haver contatos com pessoas que trabalham e estudam sobre assuntos da cultura afro (como coletivos e conselhos como o Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra) para palestras, além de exibir ou até ir a monumentos de origem negra (como igrejas erguidas por mãos de escravizados e documentos históricos que podem ser de posse de jornais).
Assim como formações pedagógicas comuns, aquelas que auxiliam nas práticas antirracistas, são ainda mais necessárias, visto que temos cada vez mais um crescimento da "negação histórica": quando pessoas negam os atos contra africanos, durante o processo de formação do Brasil. E isso não apenas com pessoas brancas, mas até as negras. É necessária uma maior conscientização sobre aquele período, para que erros do passado não se repitam.
Muitas vezes, alunos que podem expressar suas experiências (positivas ou negativas), seja sobre etnia ou religião (de diversas matrizes) permite ao aluno se sentir incluído, dentro do grupo escolar. Assim, permite ele ser mais expansivo em suas respostas e não retraído sobre os temas propostos durante a aula.

sábado, 4 de outubro de 2025

Sobre o Memorial da Resistência em São Paulo

O edifício, que hoje abriga a Estação Pinacoteca e o Memorial da Resistência, é depositário de uma história repleta de significados. Em decorrência de seus múltiplos usos no decorrer do século XX, conserva vestígios que permitem o confronto de presente com o passado. Guarda, de sucessivos processos de abandono e reutilização, os ruídos de trens de ferro, as conversas dos trabalhadores que por aqui passavam rumo às estações do subúrbio, a fala estrangeira dos imigrantes em trânsito e os sussurros de cidadão encarcerados.
Construído no centro antigo de São Paulo, é produto do acúmulo de capital gerado com a exportação do café e espaço-símbolo da malha ferroviária que acompanhou a industrialização da cidade nos últimos anos do século XIX, quando a sua população chegou a cerca de 240 mil habitantes. É um monumento/documento que nos permite "recordar", enquanto sinal do passado, e "informar", por seu significado econômico, político, social e cultural.
Foi projetado pelo escritório de Francisco de Paula. Ramos de Azevedo (1858-1928), responsável pela construção dos mais importantes edifícios públicos da cidade de São Paulo naquele período, como o Teatro Municipal, o Mercado Central e a sede do Liceu de Artes e Ofícios no Parque da Luz (hoje Pinacoteca do Estado). O prédio - inaugurado em 1914 - foi originalmente construído para abrigar os escritórios e armazéns da Companhia Estrada de Ferro Sorocobano.